CAMA COMPARTILHADA: O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

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CAMA COMPARTILHADA: O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS
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Uma pergunta para todas as mães que estão aqui: você compartilha a cama com o seu bebê? Essa é uma questão muito controversa, alguns estudos dizem que a cama compartilhada é benéfica, enquanto outros ligam o hábito a problemas graves.

Cama compartilhada: pode ou não pode?

Seja qual for sua opinião, é importante ouvir o que dizem os especialistas. Abaixo iremos apresentar posições contrárias e a favor da cama compartilhada:

Contra

De acordo com o pediatra Christian Muller, membro do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o hábito da cama compartilhada eleva em até 5 vezes as chances de morte súbita, especialmente nos recém-nascidos.

No entanto, os estudos não esclarecem quais motivos seriam responsáveis por essa relação. De qualquer maneira, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é contra a cama compartilhada com bebês. A instituição diz que o debate sobre o vínculo não é válido quando o cenário apresenta riscos à vida da criança.

O pediatra Christian Muller ainda diz que mesmo quando a probabilidade do risco de morte súbita diminui (após o primeiro aninho de vida do bebê), pais e filhos devem ter, cada um, seu próprio espaço.

Gustavo Moreira, pediatra do Instituto do Sono da Unifesp relata que as mães ficam mais antenadas durante o sono. Se algum barulho vier da rua talvez não acordem, mas se o pequenino der um suspiro, provavelmente sim.

O problema segundo o especialista é que essa “habilidade seletiva” de acordar pode variar de acordo com alguns fatores. O estágio do sono em que você se encontra, o uso de determinados medicamentos e o próprio cansaço comprometem essa capacidade.

Se você adormecer profundamente, há chances reais de você rolar sobre a criança e a sufocar. O pediatra Gustavo Moreira concorda com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SPB), afirmando que durante o sono não há necessidade de se preocupar com o vínculo entre mãe e filho, já que há outras oportunidades para estreitá-lo sem que haja risco à saúde do bebê.

A favor

Luciana Herrero, pediatra e consultora internacional de amamentação do International Board of Lactation Consultant Examiners (IBLCE), diz que é preciso mais debates sobre a cama compartilhada para que os pais e mães compreendam como fazer isso de modo seguro.

A especialista defende que o bebê deve ficar próximo aos pais pelo menos nos 3 primeiros meses de vida. “O bebê percebe quando está sozinho e carece do cheiro e dos cuidados maternos para se acalmar. Além disso, os bebês fazem pequenas mamadas quando deitados ao lado da mãe, o que favorece a produção de leite e previne o refluxo”, é o que explica a pediatra Luciana Herrero.

O pediatra espanhol Carlos González e autor do livro Bésame Mucho – Como Criar Seus Filhos Com Amor, também integra o time dos especialistas que é a favor da cama compartilhada.

“Nas minhas palestra sempre pergunto: quem nunca compartilhou a cama com os filhos quando eles eram ainda bebês? Apenas uma pequena parcela das pessoas levantam a mão, menos que 5%. A probabilidade de morte súbita não pode ser comprimida a zero. Alguns bebês irão morrer, infelizmente essa é uma realidade que deve ser aceita. Os pais têm todo direito de compartilharem a cama com os filhos, sem ter que se submeterem a regras absurdas”.

Esquentando a discussão

Para colocar ainda mais lenha nessa fogueira, o antropólogo americano James McKenna defende o hábito da cama compartilhada baseando-se em uma nova definição chamada “breastslepping”, termo que unifica as palavras “amamentação e sono“.

“Entre todos os mamíferos, os bebês humanos são os que nascem menos preparados. O cérebro de um bebê humano corresponde a 25% do volume cerebral de um adulto. Ao nascer, eles mal controlam a própria respiração, não conseguem andar, falar e só enxergam em um campo de 25 centímetros a sua frente. Além disso, os bebês precisam de estímulos sensoriais maternos, constantemente, já que se desenvolvem mais lentamente. Do ponto de vista biológico, eles querem que a mãe esteja a todo momento ao seu lado”, explica o especialista.     

De fato, apoiar o hábito da cama compartilhada é uma escolha polêmica, pois a grande maioria dos institutos de pediatria mundo afora são contrários a essa prática, inclusive a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), especialmente em virtude do risco de morte súbita do bebê.

Um estudo divulgado pela publicação americana Pedriatics revelou que 70% dos mais de 8.000 casos registrados de morte súbita em bebês ocorreram quando eles dormiam com os pais. Essa pesquisa foi realizada apenas nos Estados Unidos, entre 2002 e 2014.

Além desse, outro estudo publicado no British Medical Journal apontou que o risco de morte súbita aumenta em 5 vezes no caso de cama compartilhada. É importante frisar que apesar dos riscos, as taxas de morte súbita em bebês são baixas. Uma pesquisa realizada pela PUC do Rio Grande do Sul estimou que em cada 10 mil bebês apenas 4 irão morrer dessa forma.

Cuidados na cama compartilhada

Como você viu, esse é um assunto que causa muita discussão. Você deve estar se perguntando se deve ou não deve compartilhar a cama com o seu bebê, já que os médicos e especialistas não são unânimes em relação a essa questão.

Se após a leitura dos argumentos apresentados você decidir ser a favor da cama compartilhada, tome as seguintes precauções para minimizar os riscos:

  • Evite sofás e outras superfícies improvisadas. Seu colchão deve ser firme e grande o suficiente para acomodar confortavelmente toda família;
  • Certifique-se de que o ambiente esteja fresco e bem arejado;
  • Tenha cuidado para não superagasalhar o bebê, uma peça de roupa a mais do que você está usando é o bastante;
  • Objetos como almofadas e bichinhos de pelúcia (entre outros) não são indicados;
  • O bebê deve ser posicionado de barriga para cima, ao lado apenas da mãe, o pai deve se deitar atrás dela. Essa “configuração” é mais segura do que colocar o bebê entre os pais;
  • Evite edredons e cobertores. Use somente uma manta fina e não cubra o bebê acima do tórax. Em dias mais frios, prefira vesti-lo com roupinhas mais quentes;
  • Evite travesseiros grandes, utilize um travesseiro fino;
  • Prenda os cabelos e não use pijamas com cordinhas;
  • Outros filhos ou um animal de estimação não devem compartilhar a cama com os pais e o bebê.

Em que situações a cama compartilhada deve ser evitada

Há situações e condições que representam um alto risco ao bebê, nesses casos os especialistas são unânimes quanto a evitar a cama compartilhada. Dentre as quais estão:

  • Uso de indutores de sono, sedativos ou outros medicamentos que possam interferir na percepção dos pais (remédios para dor, alergia, antidepressivos, etc);
  • Tabagismo (tanto do pai quanto da mãe);
  • Quando o pai ou a mãe forem obesos;
  • Consumo de álcool ou drogas;
  • Quando a mãe tem os seios muito grandes;
  • Presença de ronco ou apneia (tanto do pai quanto mãe).

Mas então, qual é a sua opinião sobre o assunto? Você já compartilhou a cama com o seu bebê? Deixe seu comentário, curta ou compartilhe!

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