CESARIANA: O GUIA ABSOLUTAMENTE COMPLETO

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Cesariana
CESARIANA: O GUIA ABSOLUTAMENTE COMPLETO
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Você sabia que cerca de 50% de todos os partos realizados no Brasil são cesarianas? E que em alguns hospitais da rede particular os números chegam a assustadores 90%? Pois é, essa é uma realidade um tanto quanto infeliz, já que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o parto cesariana deveria corresponder entre 10 a 15% do total.

De acordo com a entidade, a cesariana é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns, especialmente em países de média e alta renda.

Apesar de ser necessária em alguns casos, muitas vezes a cesariana é realizada apenas por uma questão de conveniência, podendo resultar em riscos para a saúde da mulher e do bebê, no curto e longo prazo.

Ainda segundo a organização, a cesariana deve ser considerada somente nos casos em que o parto normal represente danos para a mãe ou para o bebê.

Leia também: O guia absolutamente completo sobre o parto normal!

No entanto, mesmo diante dessas recomendações, algumas mulheres ainda defendem a cesariana pelo fato de que tiveram ou conhecem quem teve um parto normal difícil.

Porém, esse artigo não tem o intuito de criar polêmica, mas sim de lhe informar melhor sobre o assunto. Por isso, continue a leitura e veja absolutamente tudo o que você precisa saber sobre o parto cesariana. Confira!

O que é uma cesariana?

Cesariana é nada mais nada menos do que o nome utilizado para o tipo de parto no qual o bebê é retirado através de um procedimento cirúrgico.

A cirurgia envolve basicamente uma incisão abdominal e outra uterina, de modo a possibilitar a chegada até o bebê. Uma cesariana, ou também conhecida como cesárea, costuma demorar entre 45 minutos a 1 hora, sendo que o pequenino vem ao mundo já nos primeiros 15 minutos.

O restante do ato cirúrgico é destinado para a realização das suturas, ou seja, para o fechamento dos cortes. A incisão da cesariana, por sua vez, é feita logo na altura dos pelos pubianos, ponto baixo do abdômen.

A exceção é quando a cesárea for emergencial, nesse caso, os médicos farão um corte vertical, saindo do umbigo em direção à área púbica.

Como ocorre o procedimento?

É interessante também que você saiba o que envolve o procedimento cirúrgico. A cesariana, na maioria da vezes, é realizada sob anestesia:

Peridural

Quando se utiliza uma maior quantidade de anestésico, sendo administrado de maneira continua através de uma sonda, pelo tempo que for necessário.

Raquidiana

Quando o anestésico é aplicado de uma só vez, em menor volume, com ação imediata e duração limitada.

A anestesia será dada nas costas, entre as vértebras, causando a perda da sensibilidade à dor dos seios para baixo. Contudo, a mulher permanecerá totalmente consciente.

Vale ressaltar que em alguns casos a equipe médica pode optar pela anestesia combinada, ou seja, peridural e raquidiana.

A incisão no abdômen será feita assim que a anestesia tiver surtido efeito, e o bebê, retirado logo em seguida. Algumas mulheres se assustam um pouco com o “estica e puxa” que os médicos fazem para tirar o neném, o que é normal.

Por fim, o recém-nascido será “apresentado” a você e avaliado rapidamente por um pediatra. Se o pai estiver na sala de parto, ele poderá segurar o bebê enquanto os cortes são suturados.

Uma pulseirinha de identificação será colocada no pequenino antes mesmo de levá-lo ao berço. Você poderá conferi-la, não se preocupe. Aliás, você também terá uma, que deverá conter os mesmos dados.

Vale ressaltar que ambas as pulseiras possuem uma numeração que é inviolável. Mesmo assim, não se esqueça de:

  • Checar a numeração e os dados das pulseirinhas de identificação (confira antes do parto);
  • Solicitar a correção dos dados caso estejam errados;
  • Manter as pulseiras enquanto você ainda estiver no hospital (em hipótese alguma as retire).

Essas dicas são uma recomendação do Ministérios da Saúde, que visam diminuir as trocas e roubos de bebês que ainda acontecem no país, infelizmente.

O que acontece depois do parto?

Após o término da cesariana, o recém-nascido será direcionado ao berçário e posto em uma incubadora ou berço aquecido. A mãe, por sua vez, irá para um quarto de recuperação.

Em seguida, o bebê será conduzido até a mãe por uma enfermeira, que ajudará também no processo de amamentação. No começo, talvez seja difícil encontrar uma posição confortável para amamentar, mas é preciso insistir.

Quais são as vantagens da cesariana?

Embora a cesariana não seja o tipo de parto mais indicado, o procedimento tem algumas vantagens em relação ao parto normal. No entanto, é preciso deixar claro que se não houver indicação médica consistente, suas vantagens não fazem valer seus riscos.

Entre as conveniências da cesariana, podemos destacar:

  • Possibilidade de agendar a data do nascimento;
  • Menor chance de estresse durante o parto, já que tudo ocorrerá de forma esperada e previamente planejada;
  • Trabalho de parto previsível e de curta duração;
  • Garantia de que o médico da gestante estará presente no dia do parto;
  • Redução do risco de prolapso uterino ou de incontinência urinária;
  • Eliminação dos riscos relacionados ao trabalho de parto normal;
  • Certeza da não ocorrência de nascimentos com mais de 42 semanas de gravidez (pós-termo), que são associados a maiores riscos para o recém-nascido.

Quais são os riscos da cesariana?

Ao submeter-se a uma cesariana, a gestante passa de uma simples paciente em trabalho de parto para uma paciente cirúrgica. Em razão disso, soma-se aos riscos inerentes ao parto os riscos relacionados a uma grande cirurgia.

Entre as possíveis complicações estão:

  • Maior risco de hemorragias;
  • Maior risco de infecções;
  • Maior risco de reações à anestesia;
  • Maior risco de trombose venosa nos membros inferiores;
  • Maior tempo de recuperação após o trabalho de parto;
  • Pós operatórios mais doloroso.

Além dos problemas citados acima, há também a possibilidade de implicações a longo prazo. A cada cesárea realizada, aumentam as chances de implantação anormal da placenta, especialmente nas gestações subsequentes.

Ainda no caso de uma gravidez seguinte, há o maior risco de ruptura uterina se o procedimento escolhido for o parto normal.

E para o bebê, os riscos aumentam também?

Sim, o parto cesariana também acarreta em maiores riscos para o bebê, incluindo:

  • Problemas respiratórios;
  • Icterícia (coloração amarelada dos tecidos e das secreções orgânicas);
  • Lesões cerebrais.

Por esse motivo, é fundamental estar ciente sobre as orientações do Conselho Federal de Medicina (CFM). A entidade passou a proibir (desde 20/06/2016) a realização das cesarianas marcadas para antes da 39ª semana de gestação.

A regra foi baseada em um estudo de 2013 do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, que mostrou que somente a partir da 39ª semana é que a gestação “a termo” (não prematura) de fato de se inicia.

Antes da nova regra, considerava-se que os bebês a datar 37 semanas já eram considerados prontos para nascerem. No entanto, os resultados do estudo revelaram que é entre a 37ª e 39ª semana que ocorre um processo crítico no desenvolvimento dos pulmões, fígado e cérebro.

Portanto, os riscos relacionados ao bebê diminuem consideravelmente se respeitada essa questão das semanas.

Outro ponto importante a salientar, é que a partir da nova resolução do CFM, a gestante que optar pela cesariana (voluntariamente) deverá assinar um termo de consentimento, no qual é elaborado pelo médico e visa registrar formalmente a vontade da mulher.

Apenas tenha em mente de levar em consideração as informações fornecidas pelo médico. O CFM determinou que o termo de consentimento deve ser de fácil compreensão, de acordo com a posição sociocultural da paciente.

Quando a cesariana é necessária?

Agora que você já sabe o que é, como é feita, quais são as vantagens e os riscos da cesariana, entenda que o procedimento será necessário se:

  • A mãe estiver com herpes genital ativa, já que assim há o risco de transmissão para o pequenino em caso de parto normal;
  • A gestação for de trigêmeos ou mais;
  • A placenta bloquear a saída do bebê (placenta prévia);
  • Houver o deslocamento prematuro da placenta;
  • A gestante apresentar um quadro arriscado de pré-eclâmpsia (disfunção dos vasos sanguíneos);
  • O bebê estiver em posição lateral ou sentado;
  • O bebê for portador de alguma anormalidade já diagnosticada;
  • A mulher tiver algum problema de coluna ou quadril que inviabilize o parto normal.

Além desses motivos, há outros que podem surgir de última hora, muitos durante o trabalho de parto normal. Dentre os quais incluem:

  • Prolapso do cordão umbilical (quando o cordão sai pelo canal vaginal primeiro do que o bebê, podendo causar o corte no fornecimento de oxigênio à criança);
  • Bebê com a frequência cardíaca irregular, indicando que ele pode não suportar o parto natural;
  • Deslocamento da placenta.

Em situações emergenciais como essas, a cesariana é a opção que pode retirar o bebê com vida.

Posso ter um parto normal após ter tido uma cesariana?

O fato de que você passou por uma cesariana não impossibilita o parto vaginal em uma gravidez subsequente. Nos dias de hoje, cerca de 70% das gestantes que optaram pelo parto normal após uma cesariana foram bem-sucedidas.

Antigamente, a incisão abdominal era realizada verticalmente, o que aumentava a probabilidade de rupturas uterinas, a principal preocupação em relação ao parto natural pós cesárea. Atualmente, as incisões horizontais diminuem consideravelmente os riscos dessa complicação.

Entretanto, caso você já tenha passado por duas ou três cesarianas, esse risco de ruptura uterina futura aumenta, por isso, é fundamental avaliar com o seu médico qual o procedimento mais seguro.

Para concluir, tenha em mente que a recuperação pós-cesariana é bem mais difícil do que a recuperação do parto normal. Afinal, trata-se de uma cirurgia de grande porte, que exige um período maior para que o corpo se recomponha totalmente.

Após a alta hospitalar, os cuidados extras ainda serão necessários, especialmente nos primeiros dias. Evite fazer qualquer tipo de esforço, concentre-se apenas na sua recuperação e bem-estar. Peça ajuda aos seus familiares para as tarefas de casa, por exemplo, e não se esqueça de manter contato com seu médico.

Enfim, esperamos que nosso artigo tenha lhe ajudado com suas dúvidas. Caso ainda tenha alguma, pergunte aqui nos comentários! Se quiser ficar por dentro de outros assuntos relacionados à gravidez, assine a nossa newsletter!