DEPRESSÃO PÓS-PARTO: O GUIA ABSOLUTAMENTE COMPLETO

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depressão pós-parto
DEPRESSÃO PÓS-PARTO: O GUIA ABSOLUTAMENTE COMPLETO
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De acordo com um estudo publicado no Journal of Affective Disorders, uma em cada quatro mulheres brasileiras experimentam os sintomas da depressão pós-parto no período de até 18 meses após a chegada do bebê.

A conclusão é baseada na pesquisa Factors associated with postpartum depressive symptomatology in Brazil, a qual foi realizada no âmbito da investigação “Nascer Brasil”, de responsabilidade da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), uma unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

No entanto, é importante deixar claro que a depressão pós-parto não é uma falha de caráter ou uma fraqueza, e nem significa que você está (ou estará) rejeitando a criança.

De qualquer modo, preparamos este artigo para lhe apresentar de forma clara e objetiva tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Não perca a leitura. Confira!

Quais são as causas da depressão pós-parto?

Para começar, falaremos um pouco das causas relacionadas à depressão pós-parto. Basicamente, elas são divididas em dois fatores:

Emocionais

Qualquer questão que envolva as emoções pode contribuir para o surgimento do problema, por mais simples que sejam. Ansiedade, dúvidas da sua capacidade materna, sentir-se menos atraente ou até mesmo achar que perdeu o controle da vida são alguns dos exemplos que podem motivar essa condição.

Hormonais

Devido à redução dos níveis hormonais que ocorre após o parto, é natural que algumas mulheres se sintam fracas e cansadas. Porém, quando a queda dos níveis de estrogênio e progesterona forem mais acentuadas, é possível que você apresente os sinais de depressão, já que o balanço desses hormônios está intimamente ligado ao incômodo.

E quais são os sintomas?

Agora que você já sabe quais são as causas, veja a seguir que sintomas são associados à depressão pós-parto:

  • alterações de humor;
  • ansiedade;
  • tristeza;
  • irritabilidade;
  • problemas de concentração;
  • falta do apetite;
  • insônia;
  • choro excessivo;
  • vontade de comer muito mais do que o habitual;
  • fadiga;
  • necessidade de isolar-se;
  • perda do interesse em atividades que você desfruta;
  • dificuldade de ligação com o bebê;
  • sentir-se inadequada para ser mãe;
  • excesso de preocupação.

Além desses, algumas mulheres relatam que tiveram sintomas extremos e assustadores, como desejo de morrer e uma vontade repentina de prejudicar o bebê.

Psicose pós-parto

Desconhecida pela maioria, a psicose pós-parto é uma condição bastante rara: enquanto a depressão pós-parto acomete cerca de uma em cada quatro mulheres, a psicose atinge apenas uma entre quinhentas.

Normalmente, esse problema se desenvolve nas primeiras semanas após o nascimento do bebê. Os sinais são considerados graves, que incluem:

  • confusão e desorientação;
  • pensamentos obsessivos sobre a criança;
  • alucinações e delírios;
  • irritabilidade extrema;
  • paranoia;
  • distúrbios do sono;
  • tentativas de machucar o bebê;
  • tentativas de machucar a si própria;
  • comportamentos estranhos/bizarros.

Por implicar em pensamentos que ameaçam a sua vida e a do pequenino, não hesite em procurar ajuda profissional se você perceber qualquer um dos sinais acima. Isso é de extrema importância para evitar que tais pensamentos se transformem em comportamentos.

Existem fatores de risco para a depressão pós-parto?

Sim, existem, e é interessante saber quais são esses fatores que podem aumentar as chances da depressão pós-parto. Sobretudo, o risco se elevará se:

  • você sofre de transtorno bipolar;
  • você já tem um histórico de depressão (pós-parto ou não);
  • você tem dificuldade em amamentar;
  • você está com problemas no seu relacionamento conjugal;
  • você está passando por problemas financeiros;
  • a gravidez não foi planejada (indesejada);
  • você não tem apoio familiar;
  • o bebê tem problemas de saúde ou outras necessidades especiais.

Como é feito o diagnóstico do problema?

O diagnóstico da depressão pós-parto será baseado nos seus sentimentos e pensamentos, ou seja, na sua saúde mental como um todo. É claro que os sintomas também servirão como indicativos, por isso, ao consultar o médico, não esconda absolutamente nada: responda o que ele lhe perguntar sem medo ou vergonha da resposta, por exemplo.

E como se dá o tratamento?

No que diz respeito ao tratamento, tudo dependerá da gravidade da situação. Na maioria das vezes, os sintomas serão leves e fáceis de tratar. Nesses caso, você será aconselhada a:

  • descansar o máximo que puder;
  • aceitar ajuda da família e dos amigos;
  • reservar um tempo para cuidar de si mesma;
  • evitar o consumo de álcool;
  • evitar o uso de drogas recreativas;
  • manter-se sempre positiva.

Agora, em casos médios e graves de depressão pós-parto, o tratamento será realizado normalmente com base em:

Psicoterapia

A psicoterapia é um processo que ajuda as pacientes a lidar melhor com seus sentimentos, fazendo com que elas observem as situações de forma positiva. O profissional fornecerá um aconselhamento para que você não veja o problema como algo que deva lhe tirar o sono.

Medicamentos

Outra maneira de tratar a depressão pós-parto é a partir do uso de medicamentos, como exemplo dos antidepressivos. Contudo, esteja ciente que essa abordagem pode interferir na qualidade da amamentação, incidindo em riscos à saúde do bebê.

Aqui, é essencial analisar com muito cuidado quais são os prós e contras desses medicamentos: peça ao médico tudo o que quiser saber.

Vale salientar, também, que em um cenário de psicose pós-parto, o tratamento deverá ser iniciado de imediato, logo após os sintomas serem detectados. As pacientes serão tratadas muitas vezes nos próprios hospitais, pois normalmente será preciso fazer o uso conjunto de uma série de medicamentos, dentre os quais:

  • antidepressivos;
  • antipsicóticos;
  • estabilizadores de humor.

Não o bastante, pode ser necessário, ainda, utilizar de um procedimento chamado eletroconvulsoterapia, que nada mais é do que uma corrente elétrica aplicada sobre o cérebro.

Essa abordagem é normalmente utilizada quando os medicamentos não estejam fazendo efeito. O problema é que esse tipo de tratamento faz com que a capacidade da mãe em amamentar se torne muito reduzida.

Para concluir, é importante compreender que muitas mães apresentam sinais e sintomas que se parecem com uma depressão, mas às vezes não são. Assim sendo, considere fazer um auto-observação para procurar entender o que pode estar acontecendo.

De toda maneira, lembre-se de que enxergar a situação positivamente e ter força de vontade ainda estão entre os melhores remédios. Uma dica: tenha em mente que a depressão pós-parto é uma condição temporária, mais comum do que se imagina.

O amor de uma mãe por um filho não será afetado de forma alguma, mesmo que por um determinado tempo esse sentimento não pareça existir. Quando você menos perceber, seu pequenino será a pessoa mais especial da sua vida, disso não há a menor dúvida.

Esperamos que este artigo sobre a depressão pós-parto possa ter lhe ajudado a entender o porquê essa circunstância ocorre. Se você gostou e quer ficar por dentro de outros assuntos tão importantes quanto a esse, confira também o nosso guia completo sobre as cólicas no bebê. Assunto bastante relevante!